Elfos e Duendes
As lendas de elfos e duendes fazem parte do núcleo do folclore europeu desde a Idade Média e Antiguidade Tardia. Estes seres não nascem da literatura moderna, mas sim de tradições orais, crónicas medievais, estudos etnográficos e recolhas folclóricas realizadas entre os séculos XII e XIX.
Embora não existam provas da sua existência física, as crenças neles foram reais, persistentes e socialmente influentes em distintas regiões da Europa.

Origem histórica dos elfos na mitologia europeia
Os elfos aparecem documentados nas mitologias nórdica e germânica.
Nas Eddas islandesas e em textos medievais escandinavos são descritos como seres vinculados à natureza, fertilidade e aos espaços arborizados.
Na Irlanda e Escócia, as fontes medievais identificam-nos como os Aos Sí, habitantes de colinas e túmulos funerários pré-cristãos.
As tradições celtas registam a crença de que estes seres conviviam num plano paralelo ao humano.
Após a cristianização, muitos relatos reinterpretaram-nos como entidades invisíveis, nem divinas nem demoníacas, mas ativas no mundo natural.
Os duendes na tradição popular ibérica e europeia
Os duendes estão amplamente documentados no folclore da Península Ibérica, França, Alemanha e Europa Central.
Em Espanha recebem diferentes nomes conforme a região: trasgos, follets, duendes domésticos ou tardos.
Os primeiros registos escritos aparecem em tratados do Século de Ouro e em recolhas etnográficas do século XIX.
Atribuía-se-lhes a capacidade de habitar casas, estábulos e bosques.
As crenças populares descrevem-nos como entidades traquinas, responsáveis por ruídos noturnos, desaparecimento de objetos ou pequenas sabotagens domésticas. Não eram considerados malignos, mas sim imprevisíveis.

Diferenças tradicionais entre elfos e duendes
Embora muitas vezes se confundam, o folclore estabelece diferenças claras.
Os elfos costumam associar-se a espaços abertos, bosques e colinas, e atribui-se-lhes uma natureza mais distante do ser humano. Os duendes, em contrapartida, aparecem vinculados ao ambiente doméstico e rural.
As fontes folclóricas coincidem em que ambos partilham uma relação direta com a natureza e o mundo invisível, mas cumprem funções distintas dentro da tradição oral.
Testemunhos e relatos folclóricos documentados
Durante os séculos XVIII e XIX, numerosos etnógrafos recolheram testemunhos de supostos encontros com elfos e duendes em regiões rurais da Europa.
Na Escócia, Irlanda, norte de Espanha e nos Alpes registaram-se relatos semelhantes: luzes no bosque, sons inexplicáveis, figuras pequenas observadas fugazmente e alterações do ambiente.
Estes relatos não são considerados provas, mas sim evidências do peso cultural destas crenças em comunidades rurais.

Presença na cultura popular e transmissão oral
Com o tempo, estas lendas passaram para a literatura, o teatro e, mais tarde, para a cultura popular contemporânea. No entanto, a sua origem não é literária, mas sim tradicional.
A transmissão oral permitiu que estas histórias sobrevivessem durante séculos, adaptando-se a cada região sem perder o seu núcleo comum.
Uma tradição folclórica europeia persistente
As lendas de elfos e duendes não são invenções modernas nem simples contos infantis. Constituem um sistema de crenças documentado que reflete a relação histórica entre as comunidades europeias e o seu ambiente natural.
Embora hoje se interpretem a partir de uma perspetiva cultural e também da fantasia, o seu impacto social e simbólico foi real e duradouro.